TPM e autoconhecimento: como essa relação pode fortalecer as mulheres
- Tatiana Perecin
- 2022-09-08
- Psicoterapia
De onde vem o mito da mulher “descontrolada”
Historicamente, a relação entre homens e mulheres foi uma relação de opressão. As mulheres tiveram seus direitos negados simplesmente por serem mulheres até muito recentemente.
- O direito ao voto, por exemplo, o Brasil conquistou em 1932, após 100 anos de muita luta.
- O direito de competir nas Olimpíadas e ganhar medalhas, foi ainda mais tarde.
- Até 1979, havia um decreto proibindo mulheres de praticar esportes no nosso país.
- Somente em 2012, nas Olimpíadas de Londres, houve a primeira edição dos jogos com participação feminina em todas as modalidades.
Sempre que há opressão de um grupo social sobre o outro, os protestos do grupo oprimido são minimizados. Isso ocorre de muitas formas.
No caso da escravização, por exemplo, consistia na crença de que pessoas negras não tinham alma, sendo, portanto, menos “humanas” do que as pessoas brancas — o que tornaria menos graves as violências cometidas contra o povo negro.
No caso das mulheres, essa minimização se revela no pensamento de que as mulheres são mais “dramáticas e sensíveis”, de modo que qualquer protesto ou relato de sofrimento é visto apenas como um sintoma de exagero.
Na verdade, pelo contrário, o protesto que emerge na TPM indica de forma certeira que uma forma de tratamento injusta precisa ser revista.
Estereótipos femininos
Muitas coisas já mudaram no que se refere aos direitos das mulheres, mas por que essas mudanças são muito recentes, ainda sofremos os ecos dessas dinâmicas.
Os exemplos são abundantes: as mulheres que são assertivas e diretas são taxadas como grossas e inadequada, ao passo que homens que emitem exatamente o mesmo comportamento são vistos como firmes e decididos.
A ideia de que as reclamações femininas na TPM são exageradas é um desses resquícios.
TPM e autoconhecimento: usando uma lente de aumento
Se fosse verdade que na TPM os sentimentos femininos são instáveis ou não-confiáveis, nessa semana do mês as mulheres teriam queixas completamente inusitadas, que desapareceriam no resto do mês.
Mas não é isso o que acontece.
Na vida real, o que vemos nos consultórios de Psicologia é que na TPM se intensificam incômodos que sempre estiveram lá, mas que por motivos variados estavam sendo tolerados ou empurrados para debaixo do tapete.
A TPM funciona como uma lente de aumento para aquilo que está sendo fonte de sofrimento, de desconforto. Ela acende um holofote sobre tudo que causa injustiça ou dano à saúde física, ou mental da mulher, e faz com que seja muito mais difícil ignorar os problemas.
Do ponto de vista evolutivo, faz muito sentido. A TPM é o final de um ciclo onde não houve gestação, é o preparo para o próximo, em que uma gravidez pode ocorrer.
Nesse sentido, a TPM é a fase propícia para “arrumar a casa, limpar o ninho”, e se fortalecer, deixar tudo preparado para gestar o novo ser que pode surgir.
Para cumprir essa função, a TPM intensifica nossa percepção, nossa motivação para a resolução de problemas, e também nossa propensão ao autocuidado.
Por este motivo, use a TPM como ferramenta de autoconhecimento, pois você vai perceber emoções que sempre estiveram lá, mas não notou.
Ajudando a discriminar problemas e incômodos que estavam sendo jogados para debaixo do tapete e elevando nosso foco no nosso próprio bem-estar. Ela traz essas questões para a consciência e nos permite planejar melhores formas de enfrentar e lidar com os problemas.